Recentemente tive a oportunidade de assistir ao filme ‘Dúvida’ (Doubt), com a belíssima atuação de Meryl Streep, embora eu acredito que o prêmio merecido o prêmio de melhor atriz pela Academia Cinematográfica, ontem acabou perdendo para Kate Winslet, pela sua atuação no longa ‘O leitor’ (The Reader). Mas não quero me apegar ao Oscar , mas apesar dos comentários que estão rolando em alguns blogs, quero me colocar criticamente para uma avaliação do contexto em que o filme se enquadra.
Desde de seu novo título o Santo Padre Bento XVI, vem dando grandes investidas ao caso de pedofilia. Mas o filme aborda algo muito maior do que a pedofilia, alguns podem pensar que seja esse o foco do filme, mas eu acredito que não. Apesar da escola católica estar liderada por uma sistema medieval e extremamente regrado, existe uma situação que só aparece depois dos 40 minutos no filme. Antes disso, queria parabenizar o roteirista pela incrível história comparativa com a fofoca (fofoca essa que desencadeou os acontecimentos do referido filme). A mãe que assume a homossexualidade do filho, e apóia o relacionamento com o padre. Sabemos que a heteressexualidade é dono das questões morais impostas pela sociedade (apesar de haver contradições), e são poucas as alternativas de mudá-la (Recomendo o flme ‘Milk – A voz da igualdade’). Voltando ao nosso foco, um pai que agride o seu filho, que já havia sido ameaçado de morte por sua sexualidade em uma escola pública, Donald Muller, o jovem que, segundo a madre superiora, está sem corrompido pelo padre - que por sua vez, nega esse tipo de relacionamento. Outro fator, é que o jovem é negro e vive em uma escola em que é o único negro da turma, logo, os fatos se somam e cada vez mais e o aluno é distanciado do grupo e acolhido pelo padre. Eu pergunto: será que o padre estava fazendo sua missão de padre regente de uma escola católica e ajudando o próximo dos problemas tão profundos da vida, ou estaria o padre aliciando o jovem? Caso da segunda opção, chegamos a um outro questionamento, o jovem estaria apaixonado pelo padre? Em alguns momentos, tive essa impressão. Mesmo não tendo tais relações afetivas.
Mas qual será a dúvida do filme? São muitas...
Talvez, seja uma relação de amizade muito intensa, em que o padre, tenta fazer o menino alguém mais feliz lhe dando atenção, coisa que seus familiares, que seus amigos não o tem dado. Dar um futuro ao menino que talvez um dia esteja a beira da marginalidade, se prostituindo etc.
Mas a Igreja sempre vai achar errado o contato de um sacerdote com um garoto homossexual, sempre pensando na pedofilia, existem sim, muitos da Igreja que fazem isso porque querem rer relações homossexuais e se escondem atrás da batina. Acredito que, mais do que na hora de liberar o casamento pelos sacerdotes católicos, é aprovar que não existem mais regras sexuais na nossa sociedade, e tentar ajudar essas pessoas a seguir um caminho correto, quantos jovens homossexuais não estão no caminho das drogas, da prostituição, da violência porque foram banidos de viver em uma sociedade e obrigados a viver a margem dela por ‘ser diferente’ (termo relativo). Margem essa, que está cada vez mais ocupando mais nichos na sociedade brasileira e que um dia, talvez seja o centro dela.
Abraços
Rogério
Rogério
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