domingo, 25 de janeiro de 2009

O milho e o bigato

Hoje, estava eu trabalhando, como todas as manhãs de domingo e refleti sobre o milho. Da espécie Zea mays, o milho é vitima de uma comedora voraz, a chamada lagarta de cartucho (Spodoptera frugiperda). E ai me perguntaram: um bigato? Quantas pessoas já parou para pensar que um bigato tão inofensiva poderia se tornar?

Sabemos que no ciclo de alguns insetos, existe a transformação de ovo para lagarta, da lagarta para a pulpa e da pulpa para o individuo adulto. Mas será que alguém quando vê uma lagarta se pergunta, se aquilo é a fase jovem de uma linda borboleta, ou é simplesmente uma borboleta?
Pesquisei, pois eu estava cansado de ver as pessoas olhando aquelas pobres lagartas com cara de nojo, jogando longe e dizendo ‘Ai, tem bigato’, e busquei resposta para algo tão ridículo: no que a borboleta do milho se transforma, e percebi que é em uma mariposa tão inofensiva quanto ela na fase jovem. E eu nunca vi uma que tenha conseguido comer o sabugo inteiro.

Nisso, chegamos a seguinte conclusão: o ser humano está cada dia menos interessado em saber se o bicho é perigoso ou não, tomam partido em nome de animais perigosos e transmissores de doenças, influenciados por uma mídia que só enfoca os animais de importância médica, com informações vazias e generalistas . Se ela é uma praga nas plantações de Zea mays, não é culpa delas, mas sim do homem que deu chance para que ela evoluísse, transformando grandes áreas de cerrado em monocultura. Logo, todas as lagartas transmitem doenças, todas elas podem te morder e arrancar um pedaço, como se elas pudessem. Mas é muito bonito ver as borboletas e mariposas posadas na varanda, perto do jardim de inverno, mas de que adianta admirar a beleza de uma borboleta e não se impressionar com a beleza de uma lagarta.

Realmente, algumas lagartas são muito perigosas. Mas nos esquecemos que ela só se adaptou assim para se proteger. Chamadas de taturana, são sempre taxadas como perigosas. Por isso, temos que matar todas elas? É muito mais digno pegar ela em uma pá e colocar em algum lugar que ninguém passa. É por poucos dias, quinze, vinte, quarenta dias talvez, até notarem que ela sumiu, está guardada em um casulo fazendo sua explendida transformação.
Vai o meu pedido, antes de analisar a beleza de uma borboleta, perceba que um dia ela teve que ser um bicho que parece nojento.

Abraço a todos

Um comentário:

  1. Belíssimo texto, como sempre, a natureza é nossa mestre também, mostrando que nas pequenas coisas da vida, temos exemplos das grandezas (uia) do universo. O SER HUMANO infelizmente, reage mais do age. Viver o momento real, pensar o agora, é mais dificil para o ser humano do que aparenta.
    Ele acredita estar vivendo mas está sempre reagindo.
    REagindo ao que aprendeu com os pais, a sociedade, a televisão, e sua consciência livre, morre em agônia, desesperada por um pouco de ar.

    Me admiro que existam pessoas que ainda percebam as belezas que a natureza pode nos proporcionar.
    Abraços Rogério.

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